domingo, 23 de março de 2014

Cabral diz a Dilma que pode recorrer à Justiça contra transposição do Paraíba.

Cabral diz a Dilma que pode recorrer à Justiça contra transposição do Paraíba

O governador Sérgio Cabral (PMDB) avisou à presidente Dilma Rousseff que “se for preciso, irá à Justiça”, para impedir que o governo de São Paulo aproveite águas do Rio Paraíba do Sul, ou do seu afluente, Jaguari, para reforçar os reservatórios do sistema Cantareira, em São Paulo, que está com sua capacidade de água quase esgotada, prejudicando a população paulista.
Cabral disse à presidente ainda que os órgãos técnicos do Rio ligados ao setor vão elaborar “todos os estudos possíveis” para impedir que seja aprovado qualquer projeto que estabeleça ajuda a São Paulo, usando água do rio paraíba do Sul. Cabral aproveitou a audiência com a presidente Dilma, agendada para apresentar um pedido de tropas federais para ajudar na segurança do Estado, abalado pelos ataques dos criminosos à polícia militar, nos morros pacificados, para advertir ao Planalto sobre sua disposição de não permitir que as águas da bacia do rio Paraíba sejam usadas para ajudar os paulistas.
Na reunião, Cabral fez questão de dizer que “respeita o governador Geraldo Alckmin, mas esta falta de água no estado é um problema de gestão dele e não do Rio de Janeiro”. E teria reiterado ainda que não vai permitir que a população de situação de seu estado seja prejudicada. A presidente Dilma Rousseff não vai entrar diretamente na disputa entre Cabral e Alckmin. Ela não quer incentivar esta guerra deflagrada entre os dois estados, que poderá ganhar proporções ainda maiores, em um ano eleitoral.
A recomendação da presidente Dilma foi para que a Agência Nacional de Águas (ANA) apressar os estudos existentes para que se resolva a questão. Só que, de acordo com informações obtidas na ANA, o governador de São Paulo ainda não apresentou nenhum novo estudo à agência pedindo a aprovação de qualquer projeto capaz de resolver o problema de abastecimento de água nos reservatórios do sistema Cantareira. O entendimento do governo federal é que a ANA tem de encontrar uma solução técnica que solucione o problema, sem agravá-lo politicamente.

Possível desvio de água do Rio Paraíba do Sul.

O peso do Paraíba do Sul no abastecimento de 23 municípios do Rio de Janeiro pode ser identificado num estudo contratado pelo Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) e que ainda não foi divulgado. Dados preliminares obtidos pelo GLOBO revelam que a vazão média do rio é de 53 m³/s. Desse total, 44 m³/s (82%) são destinados ao Rio, São Paulo e Minas Gerais para o uso em irrigação, e 1,5 m³/s para o consumo animal. No caso da irrigação, a participação do Rio chega 67%.
— Nesse conjunto de 23 municípios têm alguns que dependem mais e outros menos. Os municípios do Centro Norte e Noroeste são mais dependente de irrigação. É o caso de Campos que tem produção de cana de açúcar. Em Itaocara, a dependência é grande porque a região é muito seca. No Sul e Médio Paraíba, onde há mais pecuária, eles dependem do rio para abastecer os animais. Sem dúvida alguma, se houver mudança na vazão do rio essas cidades serão afetadas — afirmou o secretário estadual de Agricultura e Pecuária, Christino Áureo.
Esse grupo de cidades participa anualmente com cerca de 40% (R$ 890 milhões) do PIB do setor de agropecuária do Rio.Além de Campos e Itaocara, São Francisco do Itabapoana e São Fidélis também estão na lista dos municípios mais afetados.