terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lei do silêncio é regra nas escolas do município.



Folha da Manhã 16-09-2014
Lei do silêncio é regra nas escolas
Descrição: http://www.fmanha.com.br/arquivos/2014/09/c79b58f90b62cb8f365ae2e027c23e7a_390x293.jpg
Faltando menos de 20 dias para as eleições, a Prefeitura de Campos intensificou uma espécie de “Lei do Silêncio”. A regra é clara: de acordo uma circular encaminhada aos responsáveis pelas unidades escolares, “imprensa e vereadores só entram com autorização da secretaria de Educação”. Para o vereador Dayvison Miranda (PRB), que faz parte da bancada governista, “tem gente rasgando a Constituição”. Ele garante que, se for barrado em alguma escola, haverá problemas “doa a quem doer”. O desabafo do vereador foi publicado no Facebook e replicado pelo blog “Na Curva do Rio”, hospedado no site da Folha.
Com o deputado federal Anthony Garotinho (PR) na disputa pelo governo do estado, veículos de imprensa do Rio circulam por Campos em busca de informações sobre o estilo de administração do grupo político liderado pelo parlamentar. Porém, o que encontraram foram as escolas blindadas e funcionários em silêncio. E não é apenas a imprensa que sente dificuldade. Na semana passada, os vereadores Rafael Diniz (PPS) e Fred Machado (PSD) foram barrados em duas escolas municipais. “Conversamos com os responsáveis pelas escolas, mas não conseguimos entrar. Fomos eleitos para fiscalizar e não estamos conseguindo trabalhar. Será que só podemos ver as escolas na propaganda oficial, com maquiagem e textos ensaiados?”, indaga Rafael, que tem conversado com pais de alunos e professores. “O que a gente escuta é bem diferente da maquiagem cor de rosa. Em uma escola os pais tiveram que se unir para comprar um ventilador”, conta Rafael Diniz.
Para o vereador Dayvison Miranda, “o medo de encontrar coisas erradas” é muito grande. “É tão grande que estão agindo de forma precipitada, rasgando a nossa Constituição ao proibir a entrada da imprensa e dos vereadores. A desculpa é o motivo eleitoral, alegando perseguição. Continuo e continuarei fiscalizando. E ai de quem proibir a minha entrada na unidade, doa a quem doer”, enfatiza o vereador Dayvison.
Uma semana após a divulgação do novo ranking do Ideb, que mostra o município de Campos evoluindo da última para a antepenúltima posição, sem conseguir alcançar a meta projetada, Rafael Diniz e Fred Machado visitaram três escolas municipais e encontraram uma nova unidade escolar, localizada no distrito de Travessão, sendo utilizada para abrigar famílias, enquanto alunos estudam em casas alugadas. “É o retrato do improviso e da falta de planejamento e competência. Famílias moram na escola nova e crianças estudam em casas alugadas e sem estrutura”, desabafou Fred Machado.
Professoras desabafam nas redes sociais
Se os funcionários que possuem cargos de confiança não podem falar, os professores concursados, que não seguem as ordens da cartilha, revelam os bastidores. Em carta aberta à prefeita Rosinha, a professora Luciana Soares Marques fez um desabafo. “O que me deixa mais triste é saber que o professor que é comprometido sofre perseguição. É uma pena que eu esteja sendo ‘forçada’ a tirar minha licença prêmio, devido à falta de gestão coerente. Com isso quem sai perdendo são os meus queridos alunos”, disse a professora, que aguarda desde 2012 melhorias prometidas para Escola Municipal Jacques Richer.
Em outra carta aberta, a professora Cláudia Gouvêadiz: “Estive olhando agora o contracheque, são apenas dois salários mínimos. 11 anos de carreira, turmas lotadas, nenhum aparato, dignidade zero. Sabe, prefeita, uso boa parte do meu salário na compra de remédios controlados que a senhora não fornece em seus postinhos… ganhei uma depressão e uma síndrome do pânico em sala de aula, sem contar com a bursite por esforço repetitivo, que adquiri com os quadros feitos pra gigantes”, protestou.
A.B.L.
Foto: Divulgação

Nenhum comentário:

Postar um comentário