Construtora investigada em campanha tem obra inacabada
Arnaldo Neto
Fotos: Valmir Oliveira e
Rodrigo Silveira
A construção de uma quadra esportiva ao lado da
Escola Municipal Getúlio Vargas, em Tócos, está abandonada. A obra seria
executada pela Edafo Construções, a empreiteira do galpão onde foi
apreendido material de campanha do Partido da República (PR) e os
fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) encontraram o subsecretário
de Governo Ângelo Rafael Barros Damiano na manhã de uma quinta-feira
(28 de agosto), por volta das 8h30, horário no qual, segundo o
funcionamento normal da prefeitura, deveria estar trabalhando. O
escândalo envolvendo “laranja”, dinheiro público e campanha eleitoral
foram publicados no último domingo (14) vpelos jornais Folha da Manhã e O
Globo. A Edafo é também responsável por obras no Centro Administrativo
José Alves de Azevedo (antigo Cesec), onde estão sediadas as principais
secretarias e o Gabinete da prefeita. Pela obra de reforma e ampliação
da Procuradoria e pintura das fachadas do Cesec, a empresa foi
contratada por R$ 1.088.229,54. A coordenadora de fiscalização TRE,
juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, vai requerer à prefeitura
cópias dos contratos e dos processos licitatórios com a Edafo.
Para comprovar o vínculo da empresa com a administração pública
municipal, o Ministério Público Eleitoral anexou ao inquérito cópia da
página 8 do Diário Oficial do Município de 1º de agosto de 2014, na qual
foi publicado um aditivo no valor de R$ 113.267,50, referente à
construção dessa quadra, com data retroativa: 31 de março de 2014. De
acordo com depoimento de Paulo Ferreira Siqueira à Justiça Eleitoral — o
Paulo Matraca, da Edafo — nos últimos anos, a empresa teria realizado
cerca de 10 obras no município, recebendo cerca de R$ 8 milhões.
Na localidade de Tócos, os moradores e funcionários da escola
informaram que as obras estão paradas há pelo menos quatro meses. Na
escola, funcionários que preferiram não se identificar afirmaram que
algumas vezes a empresa levou material de construção para a quadra, mas,
na ausência de um vigia, o material era furtado.
De acordo com um morador de 49 anos, que mora em Tócos há 16, a
construção está parada e ninguém foi informado sobre o prazo de
conclusão das obras. “Começou há muito tempo, pelo menos há dois anos.
Está abandonado. Hoje as crianças da escola fazem aula de educação
física na escola mesmo”, afirmou.
Fiscais da empresa PRE estiveram no local da obra na tarde de
segunda-feira (15), mas não quiseram falar sobre o trabalho que estavam
realizando. Através de e-mail, a equipe de reportagem tentou contato com
a secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campos, para
esclarecimentos sobre a paralisação das obras, mas não obteve resposta
até o fechamento desta edição.
Juíza vai requerer cópias de contratos
A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza,
coordenadora de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-J), vai
requerer à Prefeitura de Campos cópias dos contratos e dos processos
licitatórios com a empreiteira Edafo Construções. Em depoimento à
Justiça Eleitoral, o DJ Júlio Cossolosso confessou ter sido laranja da
empresa, ao assinar um documento como proprietário para cessão do espaço
ao partido. Ele revelou ainda relação entre integrantes da Prefeitura e
a campanha do PR.
Segundo Garotinho postou no domingo (15) em seu blog, todo o material
encontrado no local “está legalizado”. O candidato defendeu ainda o
subsecretário Ângelo Rafael, que estava no galpão no momento da
apreensão. “O subsecretário de Rosinha que estava no local às 7h30m,
portanto antes do seu horário de serviço”, escreveu Garotinho.
Entretanto, o relatório do agente do TRE afirma que a ação aconteceu às
8h30.
O suposto envolvimento de outro funcionário da prefeitura, Otávio
Amaral de Carvalho, presidente do Fundo para o Desenvolvimento de Campos
(Fundecam), que teria apresentado o contrato de cessão do galpão ao DJ
Julio Cossolosso, na sede da prefeitura de Campos, ficou sem explicação.
16/09/2014 11:0